A quem interessar possa,
Hoje tive um pouco mais da amostra do tão conhecido desrespeito dispensado ao cidadão brasileiro. Se é que podemos ser definidos dessa maneira. Afinal de contas até um cidadão Romano, isso é, vários séculos atrás, desfrutava de regalias e respeito que nós se quer sonhamos. Querendo ou não eram outros tempos. Em que a palavra valia de alguma coisa.
Hoje, é possível chegar em um centro de "saúde" e receber todo tipo de informação equivocada como rotineiramente tem acontecido em bancos, call center e toda a diversidade que confere a nossa "excelente" prestação de serviços. Mas, assim como todos os demais, a saúde é também um negócio. Aliás, um negócio cuja lucro líquido gira em torno de 20%. Algo invejável para qualquer empresa, principalmente se esse percentual representar cifras na casa dos bilhões.
Agora digo, de que importa a minha voz, ou a de tantos outros que ainda morrem as traças, ou são jogados em uma fila de burocracia e lista de esperas. Ou mal informados, morrem no banco de algum lugar onde pra viver eles precisam de uma autorização. Autorização de algum empresário ou grupo de pessoas que não se importam com os códigos escritos em pilhas de papel. Afinal são apenas um bando de 0 e 1...
O importante é que os pobres coitados, sem nenhuma outra alternativa, ofendam a sua dignidade para receber a resposta "Aguarde 48 horas" para verificar se, e aí eu enfatizo "se" o procedimento para o ultra-som de sua esposa será autorizado ou não.
Ora, existe prazo para a vida. Para uma empresa que vende prevenção, não há algo mais eficaz do que virar o rosto? Resolve-se a causa do problema quando pra você ele não interessa ou não existe. E a ansiedade de um pai e uma mãe ansiosos e aflitos, onde fica? Desprezível em contraste com perspectiva tão honrada? Onde fica o compromisso com a saúde quando se passa a informação de que todos os procedimentos podem ser realizados sem necessidade de autorização e uma semana depois é dito o contrário?
Eu, o brasileiro, leia-se palhaço, perdi uma semana e dificilmente vou poder acompanhar minha esposa no ultra-som, sendo liberado ou não. Imagino que seja algo desconsiderável, mas, e os casos de pessoas que perdem a vida por conta da incompetência ou a indiferença alheia? Como mensurar tamanho descaso?????
Triste é saber que isso vai ficar dessa maneira. Continuaremos sendo vendidos, alimentando a ambição desenfreada de uma minoria pública ou privada. Ao menos, a última palavra descreve muito bem toda essa situação.
Vejo ruínas de uma guerra,
Mas uma guerra por nossas mãos,
E As armas
foram as palavras,
A vaidade, a motivação.
Feridas que sangraram a alma,
A fé de muitos, se perdeu.
Um dia irmãos,
hoje inimigos,
Matou-se o amor que um dia nos fez um;
(Refrão)
Quem vencerá, uma guerra entre irmãos, uma guerra
perdida?
Quem perderá, um povo escolhido, um povo ferido?
Quebradas foram as alianças,
Palavras que trouxeram a
divisão,
Pregadas, cantadas, faladas
Por muitos que diziam ser irmãos.
Feridas que sangraram a alma,
A fé de muitos se perdeu,
Na cruz o
exemplo nos foi dados,
Onde ficou o amor ,que nos fez um?!
Bailando no ar, gemia inquieto o vagalume:
"Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
"Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:
"Mísera! Tivesse eu aquele enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...
Autor: Machado de Assis